Postado por Marcela Magossi | Em 8 de janeiro de 2016 | Tags: , , , ,

Recentemente, três grandes Universidades brasileiras do Estado de São Paulo, USP, Unicamp e Unesp, foram pressionadas e acabaram cedendo à decisão de que cursos que formam professores devem ser reformulados, aumentando a carga horária para atividades práticas. Apesar dos argumentos contrários à decisão, é muito importante ter o professor dentro da sala de aula ainda durante sua formação.

É necessário aprender a lidar com a nova geração e conhecer quais métodos funcionam ou não durante a aprendizagem. Isso só se aprende quando os futuros professores se colocam dentro dessa realidade porque, ainda que eles detenham um bom conhecimento teórico das disciplinas que lecionarão, o desafio deles vai além do que se ensina dentro das Universidades.

Um professor do Ensino Médio lida com alunos que muitas vezes estão pressionados a decidir qual curso prestarão futuramente em algum vestibular. Ao mesmo tempo, há aqueles que sequer têm consciência do que é um vestibular. Durante toda a formação, os estudantes vivem fora da escola contextos de que muitas vezes só eles têm conhecimento e os professores precisam entender que esses contextos existem e, mais do que entender, precisam saber auxiliar alunos que muitas vezes vão às aulas depois de vivenciarem cenas de violência dentro de suas próprias casas.

Nas aulas dos cursos de graduação, os futuros professores não aprendem como combater o bullying ou o preconceito dentro da sala de aula. Muito menos a forma pedagógica de ensinar um adolescente que determinadas atitudes são erradas durante uma aula de matemática.

Eles precisam estar preparados para lidar com assuntos que vão além do que aprenderam em seus cursos. É preciso saber falar sobre racismo, homossexualidade, questões de gênero e assuntos que consideramos polêmicos do dia-a-dia mas que contribuem para a formação de um cidadão.

Preocupar-se apenas com o conteúdo a ser passado é ignorar a função social que um professor tem na vida de um aluno. As escolas brasileiras não precisam apenas de biólogos, matemáticos, escritores ou historiadores. As escolas brasileiras precisam de professores capacitados também para inspirar.


Sobre Marcela Magossi

É Coordenadora na Diretoria de Tecnologia e Design. Tem 19 anos, de Campinas, São Paulo. É apaixonada por tecnologia e política e, por isso, pretende seguir sua vida acadêmica nessas duas áreas, de forma que uma possa contribuir com a outra.