Postado por Isabella Rozzino | Em 19 de outubro de 2017 | Tags: , , , ,

A avaliação em larga escala precisa se reinventar no Brasil se quiser sobreviver aos avanços das expectativas da sociedade e às novas tecnologias. Da forma em que está posicionada atualmente não podemos deixar de reconhecer que a avaliação está na UTI. Estamos falando de sistemas centralizados de informações que foram implementados a partir da década de noventa com o intuito de auxiliar gestores escolares e gestores de sistemas com informações que subsidiassem suas decisões e a implementação de políticas públicas. A intenção de um sistema nacional de avaliação esbarrou em dificuldades de operacionalização, sobreposições de esforços entre os entes federados, divulgação deficiente e tardia e uma pesada crítica de que a avaliação de resultados não é suficiente para os propósitos pretendidos pela avaliação. A avaliação em larga escala como conhecemos hoje está com os dias contados mas a boa notícia é que uma nova avaliação já está nascendo e ela será ainda mais forte e mais necessária para assegurar o cumprimento do direito à educação.

Esse novo sistema de avaliação nasce com um papel tão imprescindível para concretizar o direito a educação quanto o próprio esforço de se construir um sistema educacional. Duas grandes questões do debate educacional atual podem nos ajudar a compreender a importância do sistema de avaliação. Se de um lado a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) avançou na definição do que vem a ser o direito à educação quanto aos aprendizados, do outro as discussões sobre o Custo Aluno Qualidade (CAQi e CAQ) têm avançado no sentido de estabelecer padrões para o financiamento de condições mínimas adequadas para o processo ensino, o que também configura um aspecto do direito a educação. Esses dois direcionamentos auxiliam o sistema a focalizar melhor seus esforços pois ajudam a criar um conceito comum sobre o próprio direito a educação. Ou seja, a BNCC estabelece um ponto de chegada comum para o sistema e o CAQ as condições mínimas necessárias para a trajetória até a aprendizagem.

No entanto, tanto a BNCC quanto o CAQ são normas programáticas para o sistema, ou seja, são intenções que se desejam concretizar. Aqui entra o papel fundamental de um novo modelo de avaliação que terá de deixar de ser de larga escala para contemplar a escala inteira e não deixar ninguém para trás quanto ao direito à educação. É o sistema de avaliação que dará voz ao direito, concretizado ou não, em cada escola, para cada criança de nosso país. O ponto fundamental para esse novo modelo de avaliação, portanto, será iluminar decisões do Estado e da Família no caminho de uma educação de excelência com condições de igualdade, outro requisito Constitucional.

E porque achamos que o atual sistema está doente e prestes a morrer? Em nosso ponto de vista, dois fatores são fundamentais para a análise. Primeiro, o atual sistema carece de atores-chave que não aceitarão mais uma posição coadjuvante e; as novas tecnologias habilitarão a disruptura do atual modelo de monopólio estatal da avaliação produzido de maneira centralizada, com processos sequenciais, gestão unilateral e a serviço de gestores, pesquisadores e especialistas.

Quanto ao primeiro ponto, o sistema atual carece de novos atores integrados ao sistema. A Constituição compartilha o dever da educação ao Estado e à família em colaboração com sociedade. No entanto, nosso sistema de avaliação é praticamente impermeável sobre o que pensam as famílias, a sociedade e os próprios alunos e professores sobre o sistema educacional. Um enorme esforço é feito para capturar o aprendizado dos alunos e novos esforços surgem no sentido de avaliar também os professores. Nenhum desses caminhos se sustentarão no futuro. Alunos e professores não aceitarão mais apenas passivamente o papel de avaliados. Eles demandarão o papel ativo de avaliadores do sistema. Os movimentos de ocupação das escolas por parte dos alunos dão uma pista nesse sentido, da necessidade que os alunos tem de emitir opiniões sobre o sistema de ensino e de participar ativamente da avaliação da qualidade da própria aprendizagem.

O estopim do novo modelo de avaliação, que integrará de modo colaborativo diversos atores atualmente coadjuvantes do sistema de avaliação, serão as novas tecnologias. A profusão de smartphones, a internet das coisas, e a nuvem de informações sobre os alunos, escolas e redes de educação são os ingredientes de uma revolução que está por vir quando o monopólio da avaliação oficial será substituído por um sistema colaborativo de avaliação onde alunos, professores, gestores e toda a sociedade atuarão de modo orgânico alimentando e consumindo informações sobre aprendizados, trajetórias, qualidade das escolas, qualidade de professores, currículos, métodos de ensino aprendizagem.

Por fim, o novo sistema de avaliação que sonhamos terá como propósito orientar decisões para a busca de uma educação de excelência e para diminuir desigualdades. Nossa geração não aceita mais que o sistema educacional ao invés de potencializar as capacidades humanas faça exatamente o contrário, nivelando por baixo os talentos, forçando uma convergência de habilidades que limita os talentos humanos, estratificando as pessoas pela renda de suas famílias e condenado o desenvolvimento do País. A avaliação que aponta para o futuro respeitará ritmos de aprendizado, abrangerá uma constelação de habilidades, atitudes e valores convergentes com o projeto de nação e denunciará sempre que alguém estiver sendo deixado para trás nesse projeto.

TEXTO por Alexandre Andre dos Santos, Anderson Soares Furtado Oliveira e Helber Ricardo Vieira, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira.


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Postado por Isabella Rozzino | Em 5 de outubro de 2017 | Tags: , ,

A formação continuada tem sido tema de muitos debates na área educacional.

Um dos motivos são as necessidades e demandas que a escola nos traz a cada dia e que exige de todos os envolvidos um processo de melhoria contínua para poder atender à diversidade que temos hoje em sala de aula e desenvolver um trabalho de qualidade.

Seja na escola pública ou nas escolas particulares, a responsabilidade pela formação continuada dos professores recai sobre o coordenador pedagógico. Mas a pergunta que muitos se fazem é: Quem forma este formador?

Se atribuímos aos coordenadores pedagógicos a função de formarem seus professores, precisamos também dar oportunidades para que desenvolvam as competências necessárias para esta tarefa, ou seja, as competências necessárias a um formador, seja para realizar as reuniões formativas com temas relevantes para a equipe, seja para observar as aulas e dar um feedback ao professor observado.

Diversos são os desafios que se colocam nesta tarefa, dentre eles a necessidade de ter um olhar focado no trabalho desenvolvido em sala de aula, buscando evidências sobre aquilo que é observado ou sobre os pontos de melhoria que a escola precisa desenvolver.

Encontrar evidências é um grande desafio para nós educadores. Em geral, costumamos olhar as coisas de maneira genérica e acabamos fazendo inferências com base em nossos conhecimentos prévios e no nosso ponto de vista.

Em geral, quando analisamos uma situação, fazemos um diagnóstico da escola ou observamos uma aula, precisamos sempre buscar o que temos de evidências concretas, ou seja, aquilo que realmente é possível ver e nos dar elementos para termos uma imagem real desta situação e, então, podermos pensar nas melhores ações e encaminhamentos para elas.

Vamos pensar num exemplo concreto para ajudar nesta reflexão.

Quais evidências podemos ter quando dizemos que os alunos não estão interessados nas aulas? Será que são todos os alunos? Costumamos fazer generalizações e não identificamos se são a maioria, se é um pequeno grupo, se o problema está em determinadas turmas, ou se , na verdade, o tipo de aula não está estimulando o interesse dos alunos. É muito importante entender melhor a situação para poder intervir sobre ela.

O primeiro passo para isso seria identificar que metodologias vem sendo utilizadas nas aulas para engajar os alunos. Para isso, é importante identificar evidências que podem ser encontradas, por exemplo, por meio da observação das aulas pelo coordenador pedagógico ou por um agente externo que possa dar um feedback ao professor sobre o seu trabalho colaborando para a qualificação das aulas. Assim, após observar as salas onde surgiram estas questões, e conversar com os professores para saber se o que foi observado realmente pode indicar as causas dessa situação, será possível entender se realmente é um problema de todas as turmas e então pensarem coletivamente em ações para mudar essa situação.

Fazer isso é um grande desafio e um exercício diário dentre tantos outros que esta função exige, mas vale a pena começar a pensar sobre ele! Assim, estaremos cada vez mais preparados para nos colocar neste papel de quem forma outros educadores, contribuindo com a melhoria contínua da educação.

Quer saber mais sobre o assunto?

Acesse https://www.eloseducacional.com/sou-diretor/certificacao- de-formadores/

 

 

TEXTO por Silvana Tamassia, Mestre em Educação pela PUC-SP, sócia-fundadora da Elos Educacional e membro da rede de Talentos da Educação da Fundação Lemann.


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