Postado por Isabella Rozzino | Em 7 de dezembro de 2017 | Tags: ,

A perspectiva está bem clara: se a gente não tratar o abismo digital que está dividindo a sociedade como um problema de alfabetização não vamos conseguir avançar como economia. Parece radical e é. Temos uma minoria da sociedade que entende o que todas as siglas como WWW, IP, DNS, HTML, CSS e um bando de nomes como Python, Ruby, Swift. ESTAMOS REVIVENDO A ERA DOS ESCRIBAS! A única diferença é que dessa vez é digital! A maioria das pessoas ainda acha que tudo que acontece no mundo digital, na web, nos smartphones e notebooks, é mágica. Acreditam que esse mundo não é para elas. E pela primeira vez na história temos um “segundo mundo” real acontecendo em paralelo, com desdobramentos reais, com conseqüências reais. O mundo “real virtual”. Para além do mundo natural que existe desde o sempre, temos essa nova vida que se desenrola numa dinâmica que duplica pessoas, que cria identidades “não-físicas”. Um mundo no qual passamos a maior parte do nosso tempo.

Acompanhem meu raciocínio: não perguntamos para as nossas crianças se elas querem aprender a ler e escrever, mas entendemos que para elas se desenvolverem nesse mundo físico essa habilidade é essencial.. Nós decidimos que era importante para o avanço da sociedade do mundo físico que todos lessem e escrevessem e não dependessem de ninguém para isso. Com o avanço dos séculos e o surgimento desse mundo digital real virtual, qual vai ser a habilidade essencial? Ainda que a decisão de vida profissional não seja programar, todos os seres humanos vão ter que entender o processo e realizar as tarefas cotidianas com tranquilidade nesse novo mundo como fazemos com leitura e escrita.

Nem tudo é tão simples, como também não foi para ensinar a humanidade a ler e escrever. Precisamos investir tempo, dinheiro, esforço e máquina pública para viabilizar tal avanço na nossa educação e consequentemente na economia. Não vai ser da noite pro dia, mas é urgente, por isso precisamos começar a discutir essa transformação com mais intenção. Estamos vendo alguns movimentos com a nova Base Nacional. Vemos prefeituras como São Paulo declarando que ensino de programação vai fazer parte do currículo. Mas como? Onde? Porquê? Estamos fazendo isso de maneira a distorcer ainda mais o cenário e manter as desigualdades nacionais? Estamos ensinando pensamento crítico também?

Precisamos falar de Política Pública Nacional. Precisamos envolver o país na discussão e desenvolver mecanismos de sustentar esse avanço, senão vamos construir apenas mais uma forma de desigualdade, as altas cúpulas já chamam de Digital Division of the Planet. A última coisa que o Brasil precisa é de mais uma forma de concentração de conhecimento e renda. Não quero ter que explicar para as pessoas o que é a Brazil’s Digital Division.

TEXTO POR Camila Achuti


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