Postado por Christian Frederico | Em 9 de outubro de 2016 |

Nessa nossa grande cruzada de tentar transformar a educação brasileira, para que por meio dela o Brasil se torne um país mais justo e igual, precisamos abordar diversos pontos falhos no nosso sistema de ensino. Atualmente, a educação está em plena discussão, passamos pela elaboração do Plano Nacional de Educação, pela Base Curricular Comum, o projeto do Escola Sem Partido e a proposta do Novo Ensino Médio, discutimos métodos,metas, jornada diária, tamanho de salas, currículos. Porém, pouco discutimos sobre a situação dos professores, figura central no processo educacional.

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imagem: oincrivelze.com.br

Segundo a pesquisa da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) de 2013,“Talis” (Pesquisa internacional sobre ensino e aprendizagem) realizada nos 35 países que compõem a organização, o professor brasileiro gasta, em média 25 horas por semana apenas com aulas, tempo superior à média de países como Finlândia, Coreia do Sul, México e Cingapura. Além disso, o docente brasileiro gasta até 22% mais de tempo com outras atividades da profissão, como correção de “tarefas de casa”, aconselhamento e orientação de alunos comparado à média dos demais países. Em uma outra pesquisa, mais recente, divulgada no último dia 15, os professores brasileiros que atuam nos anos iniciais do ensino fundamental recebem menos que a metade do que é pago, em média, nos outros países da OCDE. E mais, o relatório ainda mostra que o salário médio dos docentes é menor que de outros profissionais. Ou seja, não valorizamos nossos professores.

É empírico que não valorizamos nossos professores, mas como valorizá-los? A meritocracia seria a melhor saída? Se baseada unicamente no desempenho dos alunos, não. Pois, esse desempenho é influenciado pelo ambiente socioeconômico dos alunos, além de outros fatores. Em entrevista ao Carta Educação, seção da Carta Capital voltada exclusivamente à educação, o ex-diretor do Instituto Nacional de Educação de Cingapura Lee Sing Kong, diz que entre as iniciativas introduzidas para mudar a imagem do professor foi a remuneração, igualando o piso salarial com outras categorias, como engenheiro. Além de possibilidades de promoção e treinamentos específicos para cada professor.

Valorizar o professor, vai muito além de simplesmente elevar o salário se há um bom desempenho dos alunos. É necessário que a sociedade reconheça a importância do professor e que seja uma profissão almejada, com um amplo horizonte de carreira. A situação dos professores universitários é um pouco melhor, mas temos um gargalo nessa área. Diante disso, precisamos avançar muito para que tenhamos algum êxito nessa cruzada.


Sobre Christian Frederico

20 anos, de São Paulo capital. Graduando em Economia na Universidade de São Paulo, é Presidente do Cursinho FEAUSP, cursinho popular administrado por alunos da Faculdade de Economia e Administração da USP. É, também, bolsista do projeto ISMART, programa que oferece oportunidades de educação para jovens de baixa renda. Além disso, é poeta nas horas vagas. Acredita que a educação é o grande motor transformador e pretende se dedicar a essa área no futuro, além, é claro, da poesia.

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