Postado por Christian Frederico | Em 11 de setembro de 2016 |

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é o principal índice de desempenho da educação básica brasileira. A sua avaliação consiste em analisar a aprendizagem em Matemática e em Língua Portuguesa e as taxas de aprovação, reprovação e abandono escolar. O Ideb é divulgado a cada dois anos, e avalia alunos do ensino fundamental e médio de escolas públicas e privadas. O Ministério da Educação (MEC) possui metas para cada edição, até 2021.

Desde o início do cálculo deste indicador, em 2005, tem-se observado uma lenta e difícil evolução do quadro do ensino brasileiro. Os dados divulgados no último dia 8, referentes ao ano passado, mostram um ensino médio público estagnado em 2011, com a mesma média nacional de 3,7, abaixo da meta de 4,3. Entre as metas estaduais, apenas Amazonas e Pernambuco conseguiram alcançar a meta estabelecida pelo MEC.

 

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  • O Ensino Médio aparece como grande gargalho no ensino. Nas fases anteriores, os resultados são consistentemente melhores: no  Ensino Fundamental I, a meta foi superada, e no Ensino Fundamental II, a média foi de 4,5, levemente abaixo da meta de 4,7. Assim, percebe-se que o avanço perde o fôlego conforme o aluno evolui nas etapas. É justamente baseado nessa estagnação, e em críticas à rigidez do currículo do Ensino Médio, que surgiu o Projeto de Lei (PL) – 6840/2013, que prevê mudanças na forma como está estruturado o ensino brasileiro, alterando a Lei 9.394, de 1996,  estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. As principais propostas são: a alteração da carga horária, estabelecendo a jornada completa de 7 horas; a proibição do Ensino Médio noturno para menores de 18 anos; Ensino Médio Noturno com jornada diária de 3 horas, cumprindo o mesmo conteúdo curricular do ensino médio diurno; organização curricular em quatro áreas de conhecimento (linguagem, matemática, ciências da natureza e humanas com prioridade para Língua Portuguesa e Matemática) sendo que no terceiro ano os estudantes escolheriam uma dessas áreas para ênfase; incentivo, no último ano do Ensino Médio, da escolha da carreira profissional com base no currículo normal, tecnológico ou profissionalizante.

É evidente que a forma como o ensino público brasileiro é gerido não é bem sucedida. Além disso, o resultado do IDEB pode refletir, também, a politicas públicas focadas, em principal no Ensino Fundamental I, como o “Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa” e que tendem a diminuir nas etapas seguintes. Uma reforma no Ensino Médio é necessária, mas deve-se ter o cuidado de não incorrer no mesmo erro de padronização e centralização. Existe uma diversidade muito grande de alunos, com diferentes características socioeconômicas diferentes, interesses e que as escolas podem ajudar de diferentes maneiras. Talvez, a solução para a evasão escolar não seja a carga horária de 7 horas, umas vez que muitos trabalham para complementar a renda. Assim, muito além de pregar um ensino médio flexível, devemos propor efetivamente um ensino emancipador, democrático e inclusivo.


Sobre Christian Frederico

20 anos, de São Paulo capital. Graduando em Economia na Universidade de São Paulo, é Presidente do Cursinho FEAUSP, cursinho popular administrado por alunos da Faculdade de Economia e Administração da USP. É, também, bolsista do projeto ISMART, programa que oferece oportunidades de educação para jovens de baixa renda. Além disso, é poeta nas horas vagas. Acredita que a educação é o grande motor transformador e pretende se dedicar a essa área no futuro, além, é claro, da poesia.


Em tempos pós-modernos e de relações líquidas, como disse o sociólogo Bauman em sua obra Modernidade Líquida, nada é feito para durar. Problemas como a diminuição da empatia nas pessoas começaram a aparecer nos estudos. Os estudantes de hoje em dia são muito menos empáticos do que os dos anos 80 e 90, segundo um estudo da Universidade de Michigan (leia mais sobre o estudo aqui, em inglês). Linhas teóricas da psicologia acreditam que aumento do narcisismo e a perda de empatia estão fortemente relacionados com depressões e com outros problemas de saúde mental.

A empatia, ou seja, a capacidade de ouvir e acolher as ideias dos outros, assim como articular as próprias; o sair do “eu” para adentrar uma visão mais profunda de mundo, a partir do reconhecimento de novos (e diferentes) olhares, e ativamente conectar-se com os sentimentos e as perspectivas dos outros, desempenha um papel fundamental na melhoria das nossas relações sociais, o que é um fator importante para a nossa felicidade geral.

A Dinamarca, país considerado um dos lugares onde as pessoas são mais felizes pelo “World Hapiness Report 2016” (“Relatório da felicidade no mundo 2016”, em tradução livre), investe há décadas no trabalho da empatia nas escolas. Durante as pesquisas para escrever o livro “The Danish way of parenting” (ou “O jeito dinamarquês de cuidar das crianças”, em tradução livre), a dupla de autoras, Jessica Alexander e Iben Sandahl, realizou uma série de entrevistas com professores e alunos de toda a Dinamarca para entender como a empatia é incorporada, ensinada, vivida e discutida nas escolas e nos lares.

Um dos aspectos que chamaram a atenção foi o fato de que, no sistema dinamarquês de ensino, “aprender” empatia é algo tão importante quanto aprender matemática ou literatura, e os currículos das escolas são construídos de tal forma a incorporar isso desde a pré-escola até o ensino médio. Durante os momentos de “Klassen Tid”, como são chamadas as aulas de empatia, crianças de 6 a 16 anos, são convidadas a expor problemas para serem discutidos individualmente ou em grupo.

http://thedanishway.com/danish-parenting-tips/

Esses momentos existem para que temas como bullying sejam expostos, e para que o grupo encontre uma solução coletiva. O objetivo é criar um ambiente seguro e acolhedor para que os problemas sejam discutidos e as crianças aprendam a colocar as coisas em perspectiva. A prática faz parte da educação dinamarquesa desde a década de 1870, e que foi consolidada como uma lei em 1993.

Ensinar empatia vem mostrando que as crianças se tornam mais competentes emocionalmente e socialmente além de ter reduzido os casos de bullying nas escolas. Um estudo recente da Duke e Penn State University acompanhando 750 pessoas por 20 anos, encontrou que, quando criança, as que eram abertas a compartilhar e a ajudar outras crianças desenvolveram-se bem, sem problemas relacionado a saúde mental.

Talvez, então, não seja nenhuma surpresa que a empatia seja um dos únicos fatores mais importantes na promoção de qualidade de vida. Empatia aumenta a capacidade de perdoar e melhora as relações e conexões sociais. Aumenta a qualidade de relações significativas, fator que a pesquisa sugere como um dos mais importantes na sensação de bem estar de uma pessoa. Cada ser humano precisa do apoio de outros para alcançar resultados positivos em sua vida. Mesmo sabendo que a educação seja apenas um aspecto de nossa vida, ele toma boa parte dela, além de passarmos boa parte da nossa infância em escolas. Sendo assim, talvez, concentrando-se ativamente em ensinar e trabalhar empatia com as crianças brasileiras como fazem na Dinamarca, as escolas do Brasil ajudarão o país a terem adultos mais felizes no futuro.


Sobre Lucio Flávio

24 anos, natural de Aquidauana, Mato Grosso do Sul. Atualmente reside em Niterói, Rio de Janeiro. Graduando em Psicologia pela Universidade Federal Fluminense. É estagiário do Instituto Fluminense de Saúde Mental. Busca aprender o quanto pode dos diversos aspectos do curso que faz para aperfeiçoar sua formação e produzir conhecimento de qualidade. Pretende seguir a carreira acadêmica por acreditar nela como impactante para as mudanças sociais. Toda quinta, um pedaço dos seus pensamentos é publicado no blog do Mapa e está interessado em saber o que esses pedaços produzirão em você. para contato, e-mail: luciofsg@gmail.com

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