Postado por Alexandre Mello | Em 1 de janeiro de 2016 | Tags: , , ,

O ano começou. Época de ajustar nossas condutas a todos os planos e intenções de Ano Novo que fizemos no Reveillon. Foi um período de festas e celebrações, mas também de reflexão e união. União com nossas famílias, nossos amigos e até com nós mesmos. É um momento propício para revermos nossas atitudes. Após um 2015 intenso e repleto de críticas ao externo, não seria bom começar o ano olhando para dentro e revendo nossa contribuição, nossa parcela de impacto no caos que nos rodeia?

Ao longo do ano haverá diversas oportunidades para discutirmos e nos aprofundarmos nas várias sugestões de como melhorar o setor da educação no Brasil. É esse um dos objetivos do Mapa. Mas além disso, aproveitando a atmosfera de renovação, vale lançar um outro olhar sobre o tema.

Um dos significados encontrados no dicionário para educação é “Aperfeiçoamento das faculdades físicas, intelectuais e morais do ser humano”. Como buscar um aperfeiçoamento sistêmico, se não nos questionarmos primeiro sobre o nosso próprio aperfeiçoamento? Isso também é educação. Isso também é contribuir para a educação do país. Gandhi já preconizava “Seja a mudança que você quer ver no mundo.”

Somos rápidos em apontar culpados pelos problemas na educação. Mas sabemos como fazer nossa parte e melhorar, um pouquinho que seja, esse quadro? Que tal se questionar sobre: como me interessar mais em aprender; por que gastar horas nas redes sociais ao invés de ler mais livros; será que colar nas provas irá me ajudar realmente; ou como estar aberto a entender novas ideias e visões diferentes das minhas. Mudanças pontuais em nossos hábitos contagiam, naturalmente, o que nos cerca.

Essas são só algumas recomendações e cada um pode investigar mais quais as suas próprias barreiras rumo ao nosso aperfeiçoamento como ser pensante, nossa educação. Por fim, a mensagem que quero transmitir aqui é: reflita um pouco sobre onde você se encaixa nesse cenário caótico e encontre o que pode alterar em si mesmo, o que está ao seu alcance nesse momento, para fazer a mudança da educação de dentro para fora, sob um novo espectro.


Sobre Alexandre Mello

É Coordenador na Diretoria de Logística. Tem 20, de São Paulo, São Paulo. Atualmente estuda Economia na FEA-USP. Quer ter o próprio negócio de impacto social. Ama praticar esportes, viajar e estar em contato com a natureza.

Postado por Gustavo Empinotti | Em 25 de dezembro de 2015 | Tags: , , , ,

A palavra meritocracia ultimamente passou a ser interpretada como uma ideologia de direita. O conceito emerge muito na discussão sobre cotas nos vestibulares. A ideia é que um vestibular meritocrático seria aquele que premia unicamente a quantidade de respostas corretas, sem considerar outros fatores que independem do mérito do estudante, como renda familiar ou raça. Aqueles que defendem as cotas consideram que tal critério ignora as dificuldades que alunos de backgrounds diferentes enfrentam, e portanto seria injusto. Assim, defensores das cotas passaram a se posicionar como contrários à meritocracia. Quando me deparei com esse posicionamento pela primeira vez, achei estranho, pois me considero favorável às cotas e também à meritocracia.

Embora concorde com a visão desenvolvida acima – de que um vestibular que ignora fatores sociais é injusto – interpreto o problema de uma maneira um pouco diferente. A meritocracia é boa; premiar o mérito individual é uma excelente maneira de estimular tanto estudantes quanto trabalhadores em qualquer área ou nível a se dedicar mais, e aqueles que se dedicam mais de fato merecem reconhecimento. Agora, um vestibular que ignora a trajetória social dos alunos não mede o esforço; ele é menos, e não mais, meritocrático.

Ao considerar exclusivamente a nota do aluno, o que o vestibular premia? Se compararmos dois alunos que foram a escolas semelhantes e têm recursos financeiros comparáveis, suas notas no vestibular talvez permitam de fato uma comparação aproximada do esforço desses alunos. Misturam-se a essa nota algumas outras variáveis, como a disposição natural para as habilidades exigidas no vestibular. O aluno que se sai pior pode ter excelentes habilidades que a prova não mede, como desenvoltura social, por exemplo; ou pode ter ficado mais nervoso no dia da prova.

Acredito que um método mais profundo de avaliação, envolvendo entrevistas e análise de currículos, poderia ajudar nesse quesito; mas isso é assunto para outra coluna. O que importa aqui é que, ao comparar alunos com backgrounds sociais semelhantes, o vestibular, embora não perfeito, pelo menos não comete injustiças sociais grotescas; e mede, ainda que aproximadamente, a dedicação do aluno.

Agora, uma comparação entre as notas no vestibular de alunos com backgrounds sociais diferentes mede prioritariamente fatores que nada têm a ver com o esforço. O mais gritante deles é sem dúvida renda familiar. A renda familiar de um aluno determina se ele pôde comprar os livros de que precisou; se ele teve tempo para estudar esses livros ou se precisou trabalhar para complementar a renda dos pais; ou se ele fez curso de inglês extracurricular desde a primeira infância.

Imagine um aluno de ensino médio particular que nunca deu a mínima para os estudos porque sabia que seus pais pagariam cursinho quando ele precisasse. Ele não é aprovado na primeira tentativa, então naturalmente se matricula num cursinho. Após um ou dois anos de cursinho ele passa na prova.

Enquanto isso, seu amigo de escola pública teve que trabalhar meio período durante o ensino médio e confiar na qualidade da escola pública. Ao final, fez um ponto a menos na prova que o primeiro (em outras palavras, uma nota estatisticamente idêntica). Quem tem mais mérito? Se tiraram notas quase iguais com esse abismo de oportunidades entre eles, quem você acha que se dedicou mais?

Está do avesso o argumento de que, como classe social e raça “independem” do mérito do aluno, considerá-los não seria meritocrático. É justamente por independer da vontade ou dedicação do aluno – isto é, por serem moralmente arbitrários – que esse fatores devem ser contrabalanceados no vestibular. Não é uma escolha do aluno nascer com menos recursos financeiros; apesar disso, essa realidade terá um impacto significativo sobre seu desempenho escolar. Levar em consideração o background do estudante torna a seleção mais justa e também mais meritocrática, pois tenta anular o impacto de fatores que independem do mérito.

Os argumentos contra ou a favor das cotas já são conhecidos. Meu ponto aqui é redefinir a linguagem utilizada no debate; desconstruir a ideia detrás da qual muitos escondem seu interesse próprio: de que o debate sobre cotas consiste em uma escolha entre justiça social e meritocracia. Um vestibular sem cotas premia fatores sobre o qual o aluno não tem nenhum controle, e deixa o mérito em segundo plano. Justiça social e meritocracia estão do mesmo lado.


Sobre Gustavo Empinotti

Diretor de Conteúdo do Mapa, tem 23 anos, de Florianópolis, SC. Formado em Ciências Políticas e Matemática pela Universidade de Stanford, hoje faz mestrado em Estudos Latino-Americanos na mesma universidade. Sua pesquisa acadêmica é sobre o sistema policial e carcerário brasileiro. No seu tempo livre, gosta de assistir ou praticar vôlei, tênis, e ginástica artística.

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