Postado por Christian Frederico | Em 18 de novembro de 2016 |

No dia 14 de Outubro, a academia sueca surpreendeu a  todos ao dar o prêmio  Nobel de Literatura para o cantor norte-americano Bob Dylan. Muitos evocaram a importância literária dos trovadores e suas das cantigas de amor, amigo e escárnio e maldizer, para exemplificar o porquê Dylan, um cantor, realmente merecia o prêmio

(http://www.cartaeducacao.com.br/aulas/medio/dylan-o-nobel-e-a-questao-dos-generos-literarios/). Outro fator que gera surpresa é que Dylan faz parte da geração beat, movimento de contracultura dos anos 50 e 60, iniciado pelos escritores Jack Kerouac e Allen Ginsberg, sendo “On the Road”, livro de Kerouac, a “Bíblia beat”.

      No mesmo prêmio, Lygia Fagundes Telles, escritora brasileira autora de “As Meninas” e laureada com o prêmio Camões (prêmio oferecido àqueles que contribuíram para o enriquecimento da literatura portuguesa) foi indicada. Porém, Lygia, a primeira mulher brasileira indicada ao prêmio, vive e escreve em um país que possui um problema grave: um país que não lê. Uma pesquisa realizada pelo Ibope por encomenda do Instituto Pró-Livro, entidade mantida pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros), mostrou que cerca de 44% dos brasileiros não lê. Além disso a pesquisa indica que a média de livros lidos é de apenas 4,96 livros por ano. Desses, 0,94 são indicados pela escola e 2,88 lidos por vontade própria. Do total de livros lidos, 2,43 foram terminados e 2,53 lidos em parte. Dentre os livros mais citados está a Bíblia. A pesquisa considera como leitor quem leu ao menos um livro nos últimos três meses. Além disso, um estudo publicado pelo IBGE mostrou que o percentual de municípios com livrarias caiu de 35,5%, em 1999 para 27,4% em 2014.

 

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imagem: http://mentalfloss.com/article/55344/which-country-reads-most

É evidente que não somos uma nação de leitores, diferentemente do que ocorre em outros países, principalmente nos desenvolvidos, onde a média de livros é muito maior. A leitura é um processo importante, pois, permite uma maior absorção de conteúdos, capacidade de interpretação de textos e abstração. É um processo fundamental da formação e que deve ser iniciado ainda na infância. Não há como saber exatamente o impacto da escolha de um prêmio Nobel, porém, a escolha de um escritor de ofício (e por que não, Lygia) poderia incentivar a leitura ao redor do globo. Incentivo que é importante, neste contexto de mundo globalizado e de grandes invenções, como o netflix, fazendo com que as pessoas se afastem da literatura. Mas, é justamente nesta conjuntura de fatores que a leitura se faz importante, para entendermos melhor o diferente e possamos conviver com ele.


Sobre Christian Frederico

20 anos, de São Paulo capital. Graduando em Economia na Universidade de São Paulo, é Presidente do Cursinho FEAUSP, cursinho popular administrado por alunos da Faculdade de Economia e Administração da USP. É, também, bolsista do projeto ISMART, programa que oferece oportunidades de educação para jovens de baixa renda. Além disso, é poeta nas horas vagas. Acredita que a educação é o grande motor transformador e pretende se dedicar a essa área no futuro, além, é claro, da poesia.

Postado por Christian Frederico | Em 9 de outubro de 2016 |

Nessa nossa grande cruzada de tentar transformar a educação brasileira, para que por meio dela o Brasil se torne um país mais justo e igual, precisamos abordar diversos pontos falhos no nosso sistema de ensino. Atualmente, a educação está em plena discussão, passamos pela elaboração do Plano Nacional de Educação, pela Base Curricular Comum, o projeto do Escola Sem Partido e a proposta do Novo Ensino Médio, discutimos métodos,metas, jornada diária, tamanho de salas, currículos. Porém, pouco discutimos sobre a situação dos professores, figura central no processo educacional.

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imagem: oincrivelze.com.br

Segundo a pesquisa da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) de 2013,“Talis” (Pesquisa internacional sobre ensino e aprendizagem) realizada nos 35 países que compõem a organização, o professor brasileiro gasta, em média 25 horas por semana apenas com aulas, tempo superior à média de países como Finlândia, Coreia do Sul, México e Cingapura. Além disso, o docente brasileiro gasta até 22% mais de tempo com outras atividades da profissão, como correção de “tarefas de casa”, aconselhamento e orientação de alunos comparado à média dos demais países. Em uma outra pesquisa, mais recente, divulgada no último dia 15, os professores brasileiros que atuam nos anos iniciais do ensino fundamental recebem menos que a metade do que é pago, em média, nos outros países da OCDE. E mais, o relatório ainda mostra que o salário médio dos docentes é menor que de outros profissionais. Ou seja, não valorizamos nossos professores.

É empírico que não valorizamos nossos professores, mas como valorizá-los? A meritocracia seria a melhor saída? Se baseada unicamente no desempenho dos alunos, não. Pois, esse desempenho é influenciado pelo ambiente socioeconômico dos alunos, além de outros fatores. Em entrevista ao Carta Educação, seção da Carta Capital voltada exclusivamente à educação, o ex-diretor do Instituto Nacional de Educação de Cingapura Lee Sing Kong, diz que entre as iniciativas introduzidas para mudar a imagem do professor foi a remuneração, igualando o piso salarial com outras categorias, como engenheiro. Além de possibilidades de promoção e treinamentos específicos para cada professor.

Valorizar o professor, vai muito além de simplesmente elevar o salário se há um bom desempenho dos alunos. É necessário que a sociedade reconheça a importância do professor e que seja uma profissão almejada, com um amplo horizonte de carreira. A situação dos professores universitários é um pouco melhor, mas temos um gargalo nessa área. Diante disso, precisamos avançar muito para que tenhamos algum êxito nessa cruzada.


Sobre Christian Frederico

20 anos, de São Paulo capital. Graduando em Economia na Universidade de São Paulo, é Presidente do Cursinho FEAUSP, cursinho popular administrado por alunos da Faculdade de Economia e Administração da USP. É, também, bolsista do projeto ISMART, programa que oferece oportunidades de educação para jovens de baixa renda. Além disso, é poeta nas horas vagas. Acredita que a educação é o grande motor transformador e pretende se dedicar a essa área no futuro, além, é claro, da poesia.

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